Redige habitualmente em latim, língua que não domina nem tão pouco conhece, artigos científicos que as revistas da especialidade teimam em não publicar. Para a TV7 DIAS e MARIA escreve artigos económicos. No tempo que lhe sobra escreve aqui.
17
Ago 10

 

 

As festas em honra de S. Tiago, padroeiro da vila, são as maiores e mais badaladas da freguesia, talvez também por serem as únicas. Ano após ano trazem sempre a estas paragens muitos e muito emigrantes, alguns dos quais do estrangeiro. Pessoas da terra que vivem fora, aproveitam também esta altura do ano para aliar a um merecido descanso o visionamento dos imigrantes. Este ano a comissão de festas (CF) decidiu expô-los no campo da bola.

 

Sábado, o começo.

 

É com a alvorada que começam as festas. É o Maneta, presidente da CF e experiente técnico de pirotecnia, que manhã cedo lança os primeiros foguetes. Os outros elementos juntamente com a população mais madrugadora e os bombeiros estão já a postos e reunidos no campo da bola para apagar o incêndio que se segue. Alfredo, comandante dos bombeiros, já negociou com o Maneta que no próximo ano a alvorada será em Dezembro num dia de chuva.

 

 

 

Apagado o incêndio, segue-se a ronda e a arruada. A CF, guiada pela pandeireta e acompanhada pela concertina percorre as ruas da vila entrando em cada uma das casas. Além dum copo de vinho pede uma pequena e peculiar ajuda monetária para os projectos da junta. Esta ajuda não deve ser inferior a 100 euros sob pena de alguns elementos da CF, ainda que em clima de festa, partirem para a violência espancando os locais. É a tradição.

 

Este ano foi Macário que levava o cartaz com a mensagem: “Partimos um dedo a quem deitar para a manta: botões, notas tunisinas ou moedas marroquinas. Gratos pela vossa compreensão.”

 

Os projectos da junta para o próximo ano, em torno dos quais a comunidade se uniu, são:

 

- Acabar as obras na casa do presidente;

- Trocar o Mercedes do presidente, de 2009, por um mais recente;

- Substituir as oliveiras dos jardins públicos, por outras oliveiras das hortas do presidente, concurso público a lançar em Setembro;

- Reunir fundos para a lipoaspiração da mulher do presidente;

- Juntar dinheiro para a campanha do filho do presidente a delegado de turma do 7ºB.

 

Após o êxito das festas do passado ano, que trouxeram a estas paragens nomes sonantes como Ana Raposo, Carlos Ventura e o DJ Tó Canhoto, que esteve a tirar imperiais a noite inteira pois roubaram-lhe a bolsa dos Cds prejudicando assim a sua actuação que teve de ser cancelada. Este ano a CF decidiu elevar a fasquia.


 

 

Quim do Barreiro, cançonetista popular, não fosse o caso de ter um 1,95 mts de altura, ser loiro e não ter bigode, passaria facilmente por Quim Barreiros, artista que gosta de imitar.

 

Confrontado com o facto do seu nome facilmente se confundir com o do castiço Quim, António, assim se chama Quim do Barreiro diz que nem tinha reparado, mas que o mesmo se deve a uma feliz coincidência que aproveita para contar.

 

Foi dum seu tio que viajou para a América ainda novo, e se chamava Francisco, que ele carinhosamente herdou o diminutivo, assim como um tractor e algumas dívidas. O seu tio, hoje preso, é um dos seus maiores fãs.

 

Quanto ao apelido Barreiro, explica-se pelo facto de uma vez há 10 anos atrás, quando regressava do Algarve com Judite, sua mulher, se ter enganado na saída do Montijo para fugir ao transito da 25 de Abril, e acabar perdido no Barreiro. Acabaram por jantar lá, num restaurante que ainda hoje é talismã para si pois foi aí que comeu a melhor mousse de chocolate de pacote da sua vida. Não se lembra do local do restaurante, nem de como lá chegou, na memória apenas lhe ficou que tinha uma porta de vidro à entrada e se chamava Restaurante Mindelo.

 

Barreiro, na sua actuação, deliciou-nos com românticas músicas do seu vasto reportório donde se destacam praticamente todas. Os peitos da cabritinha, original de Quim Barreiros, foi a que mais entusiasmou o publico presente tendo mesmo e em clima de festa dado inicio uma valente cena de pancadaria.

 

Consta-se que tudo terá começado quando Américo, virando-se para Aurora mulher de Bernardino, entoou efusivamente:

 

“Ponho o carro, tiro o carro, há hora que eu quiser
Que garagem apertadinha, que doçura de mulher
Tiro cedo e ponho à noite, e às vezes à tardinha
Estou até mudando o óleo na garagem da vizinha!”

 

Como não era essa a musica que passava no momento, Bernardino entendeu isso como um acto de provocação e apesar de saber que a sua mulher se enrolava com qualquer um, puxou da pressão de ar disparou para o ar sobre a multidão. À GNR disse posteriormente que tentava acertar numa cotovia que lhe fugia há anos e mais não dizia sem a presença do seu mecânico.

 

Domingo, a continuação.

 


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