Redige habitualmente em latim, língua que não domina nem tão pouco conhece, artigos científicos que as revistas da especialidade teimam em não publicar. Para a TV7 DIAS e MARIA escreve artigos económicos. No tempo que lhe sobra escreve aqui.
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Fev 10
jls, às 18:05link do post | comentar

Ontem à noite enquanto fazia uma sopa à portuguesa dediquei um quarto de hora do meu precioso tempo, o mesmo que toda a oposição e também o Ministro Teixeira dos Santos, a analisar o OGE2010. As considerações de alto nível analítico que agora aqui deixo são fruto desse apurado instinto económico que só ainda não me valeu o Nobel por não saber onde me inscrever para o prémio. Dou assim de bandeira algumas luzes aos engomados que durante seis meses andaram a fazer copy pastes do OGE09.

 
A minha teoria assente num losango de 5 vértices muito idêntico ao que Jesus usa nos jogos fora de casa quando pretende golear e não apenas vencer por três ou quatro de diferença.
 
1)     Despesa. Essa vaca gorda.
 
Ao contrário dos analistas defendo que é aumentado a despesa que resolvemos o problema. Um aumento nos ordenados dos funcionários públicos entre 3 e 5 % permitiria, além duma generalizada propensão aos ditos em trocar de carro de terceira para segunda mão, um aumento da receita na ordem dos 4%. Foi aplicando o teorema de Lagrange à derivada da despesa que cheguei a esta conclusão. Não vos maço com os cálculos, apenas vos peço que confiem em mim tal como confiaram no Teixeira.
 
2)     Receita. Sacana da Anã.
 
De acordo com a minha visão periférica do vértice anterior, a subida de 4% por si só não é suficiente. Um aumento generalizado de todos impostos em 2% durante o fim de semana em que o Benfica será campeão, ao mesmo tempo que se relança a discussão sobre a adopção por parte de casais homossexuais, passará despercebido ao BE, PCP e funcionários públicos ainda entretidos em substituir os electrodomésticos comprados no passado ano.
 
3)     O fim do sindicalismo, a legalização da economia paralela e do mercado negro.
 
Oleados técnico e tacticamente os vértices 1 e 2 e colocando o João Proença como secretário-geral do PCP e o Mário Nogueira como secretário de estado da educação (a EGOR trabalha nisto desde 2009) dá-se um golpe de morte no sindicalismo libertando assim para a vida activa 100 a 200 mil trabalhadores. O aumento exponencial da burocracia e inoperância do estado, derivado deste incremento de funcionários (décima quinta lei de Murphy), é largamente compensado em receita graças à industria do papel, industria da navegação na internet e comunicações em geral e também na receita dos cafés ao redor dos ministérios.
 
A legalização da economia paralela permitindo o regresso da contabilidade criativa, das facturas falsas, do sistema carrossel em sede de IVA e dos sacos azuis, fará aumentar de 10 a 15% a receita gerada dado que os Godinhos deste país, assim com alguns autarcas, não terão a necessidade de colocar em offshores 90% dos seus fundos. Os únicos prejudicados, mas que serão convenientemente subsidiados e indemnizados, serão os bancos pois os seus lucros em vez dos habituais 30% de crescimento, mesmo em anos de grave crise, crescerão apenas metade.
 
O fim do mercado negro com legalização da venda de drogas, armas e combustíveis aos preços da Galp, BP e a Repsol trará para o lado certo da barricada estas actividades de extrema importância à sobrevivência de qualquer economia. Só a Galp está um pouco relutante com esta medida pois não tem gestores preparados para negociar fora de ambiente de cartelização.
 
4)     Criar uma rede de franchising de agências de rating.
 
As agências de rating influenciam os mercados internacionais na fixação dos spreads e risco com que os estados se endividam. Como ainda não descobrimos a forma de corromper os mercados internacionais, só os nacionais, a criação de uma dúzia de agências de rating em regime de franchising além do encaixe de uma boa receita permitiria resolver alguns problemas económicos nomeadamente ao nível do João Rendeiro, Dias Loureiro ou mesmo Armando Vara. Colocados estes técnicos altamente especializados longe do país e assessorados por técnicos ainda mais bem preparados como por exemplo os funcionários de call-centers, Portugal poderia subir no ranking do coiso duas ou três posições.
 
 
5)     Allô Presidente?
 
Depois do teste da marinha Americana ao largo do Haiti que provocou o terramoto que sabemos, descoberta científica de Hugo Chaves, o Almirante Smith já confirmou a duas placas tectónicas que moram no Tejo que o aconteceu à nossa economia no ultimo ano também foi de sua responsabilidade e de mais um estúpido teste.

jls, às 12:12link do post | comentar

O primeiro que construí foi na escola primária. Ia do recreio até ao campo da bola. Ajudaram-me os gémeos Almeida e a Joaninha. Foi um projecto simples e executado dentro do prazo. Usamos o método invertido, o que mais aprecio. Colocamos as estacas de contenção onde apoiámos a cobertura e depois partimos para a escavação. Tivemos bom. Depois disso terei feito mais uns dez, talvez doze antes de chegar à secundária e me dedicar a construir pontes.

 

A minha mais emblemática ligava um salgueiro de grande porte ao quarto da Ana. Era linda e tinha uma rotunda imaginária a meio. Infelizmente o pai dela não gostou e um dia em que me encontrou no quarto com ela, calmamente lá me convenceu a abandonar o projecto. A caçadeira era daquelas antigas. Desmoralizado, até porque era minha primeira grande obra a ser alvo de criticas, vi nas moradias geminadas um futuro. Desenhava o projecto, scaneava-o e depois fazia invert. Vendia-os aos pares e segundo sei eram os filhos do construtor quando chegavam da escola que se entretinham a acaba-los.

 

Mas até na Serra das Minas e em Massamá Norte o espaço é limitado. O sms que recebi apenas dizia que na zona iam começar a construir em altura. A minha carreira descia a um ritmo mais vertiginoso que a do Hélder Postiga. Depois dos túneis, das pontes e das moradias pouco mais me restava. Ainda pensei ir para o Porto, para a escola da Madalena, estudar a ciência das rotundas ou especializar-me nas Antas em becos sem saída. Mas havia a barreira linguística.

 

E foi numa solarenga tarde de Junho enquanto acompanhava umas sardinhas à brasa que me lembrei de voltar aos túneis. Porque não inovar e construir-lhes uns estádios em cima? Se há engenheiros máximos que fazem pontes e só depois mandam os rios passar-lhes por baixo, se bem que esse Rio por ser torto não é grato na cidade, também eu lutaria pela minha oportunidade. Assim fiz mais dez.

 

E hoje é com profunda tristeza que pelas piores razões vejo as minhas obras de arte envoltas em polémicas, palcos de constantes agressões e casos. À ordem dos engenheiros já pedi a interdição de nele transitarem quadrúpedes e à liga de futebol animais. Agora não sei a quem me devo dirigir no caso do Fernando, do Hulk e do Sapunaru?


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