Redige habitualmente em latim, língua que não domina nem tão pouco conhece, artigos científicos que as revistas da especialidade teimam em não publicar. Para a TV7 DIAS e MARIA escreve artigos económicos. No tempo que lhe sobra escreve aqui.
09
Nov 09
jls, às 12:48link do post | comentar

Juntando-nos às comemorações dos 20 anos da queda do Muro de Berlim fomos procurar Portugueses que de alguma forma tivessem um elo de ligação com esse acontecimento e estivessem disponíveis para nos fornecer algumas pistas desse inacabado puzzle de 2500 peças.

 
Mario Godinho é uma dessas pessoas. Pacato sucateiro de Ovar, Mário foi um dos portugueses que após a queda ajudou na recolha dos resíduos. As suas empresas recolheram 4 Kms de muro o que pelas suas contas deu qualquer coisa como 2,5 Kgs de entulho. Esse entulho acabou por ser vendido à CP como entulho novo, pesando agora 4 Toneladas, por 2,5 milhões de Marcos. Aliás, todos os Marcos que ainda hoje trabalham na CP dizem respeito a esse negócio.
 
Infelizmente Mario Godinho está num retiro espiritual numa penitenciária de Aveiro e à excepção de Armando Vara não fala com mais ninguém. Falamos sim com um amigo seu, em liberdade condicional, capataz de profissão que esteve na construção do Muro. O seu nome é Cloridrato de Lidocaína e matou os pais quando teve consciência do nome que lhe tinham dado, por isso ainda hoje cumpre pena.
 
CortaVicente - Cloridrato, como é que um desconhecido português ganha um concurso internacional para uma obra desta envergadura?
 
Cloridrato – Sendo desconhecido em Portugal na Alemanha era já bastante conhecido. Pelo facto de me chamar Cloridrato havia muitas farmacêuticas que não paravam de me ligar, sabiam que o anião do meu sal era o melhor. Daí a Capataz foi um instante.
 
CV – Mas já tinha experiencia neste tipo de obras?
 
Clo – Não. Foi aí que entrou o Mário Godinho. Conhecia um indivíduo na câmara de Berlim que aceitou 2 cabritos e todas as outras propostas desapareceram num estranho incêndio dentro dum caixote de lixo. Fui o único concorrente.
 
CV – O projecto da obra também foi seu?
 
Clo – Sim, anos antes tinha ajudado um cunhado meu a construir uma moradia no Bombarral e como também tinha um muro foi fácil, bastou tirar a moradia.
 
CV – E o projecto da moradia serviu para construir o muro de Berlim?
 
Clo – Claro. Isto de assentar tijolo não tem nada que saber, é por o nível e seguir sempre a direito. Mais chato foi para receber. Não queriam pagar pois diziam que a qualidade de construção era má. Dei-lhes uma garantia vitalícia de 5 anos e veja lá senão foi suficiente.
 
CV – De facto, o muro esteve de pé 28 anos. Mas a primeira vez que lhe subiram para cima veio a baixo.
 
Clo – Isso porque não quiseram um contrato de manutenção também vitalício. Este por 15 anos.
 
CV – E projectos para o futuro?
 
Clo – Tenho duas grandes obras em mãos. Uma plataforma petrolífera em Espanha para o meu filho de 4 anos. Estamos a construi-la em legos e ficará pronta dentro de 3 semanas. O outro projecto é um túnel que vai da Gafanha da Nazaré aos calabouços da Policia Judiciaria de Aveiro, mais precisamente à cela 320 onde está Mario Godinho, mas sobre isso não quero falar pois na construção civil há muitas invejas.

mais sobre mim
Novembro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
14

15
16
18
20
21

22
24
25
27
28

29
30


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO