Redige habitualmente em latim, língua que não domina nem tão pouco conhece, artigos científicos que as revistas da especialidade teimam em não publicar. Para a TV7 DIAS e MARIA escreve artigos económicos. No tempo que lhe sobra escreve aqui.
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Out 11
jls, às 14:56link do post | comentar | |

 

A conjugação destas três notícias (Governo não pagou dívida às autarquias; Dívidas das autarquias à Águas de Portugal ascendem a 400 milhões de euros; Águas de Portugal com dívidas de 1,7 mil milhões à banca) resulta numa história quase idêntica a esta.

 

A uma pequena vila do interior, economicamente falida e a viver a crédito, chega certo dia um viajante. Procura um sítio para pernoitar e indicam-lhe a única pensão da vila. Entra na pensão e pede para ver os quartos deixando em cima do balcão uma nota de 100 Euros como caução. Na companhia do recepcionista sobe aos vários pisos para escolher um quarto.

 

Enquanto isso, o dono da pensão, confiando que o viajante aí se vai hospedar, pega na nota dos 100 euros e corre ao supermercado que o abastece saldar uma divida antiga.

 

O dono do pequeno supermercado que também já há muito tempo não via uma nota de cem de euros corre ao talho, o seu fornecedor de carne, saldar as contas da passada semana.

 

O criador de gado quando viu entrar o dono do talho pela herdade nem queira acreditar. Mais surpreendido ficou quando soube ao que vinha. Uma vez que já lhe tinha cortado o crédito não havia razão para ele estar ali. Mas era verdade, vinha pagar. Cem euros de dívidas acumuladas.

 

Face a esta inesperada entrada de fundos o criador de gado decidiu também ele ir liquidar os últimos serviços que a menina Rosa lhe tinha prestado. A menina Rosa, técnica qualificada nas artes do prazer, além de fazer domicílios tinha o seu estabelecimento comercial montado, uma pequena cadeira, à beira da estrada nacional onde atendia camionistas, ciclistas e até mesmo caminhantes que por ali passavam a pé. Aos mais finos atendia-os na pensão, local onde tinha uma conta corrente em aberto e com dívidas para saldar. Foi pois com surpresa que o dono da pensão a viu entrar para regularizar a divida.

 

O viajante que entretanto tinha visto os quartos e decidido ficar foi surpreendido ao fim do dia com uma chamada da empresa a exigir a sua presença no dia seguinte em Lisboa. Alterou os seus planos e pediu a devolução dos cem euros ao dono da pensão, tendo-lhe este devolvido a mesma nota que horas antes tinha entregue. 

 

Ao deixar a vila achou curioso o facto de as pessoas com quem se cruzou mostrarem um ar ligeiramente diferente das mesmas com quem nessa manhã se tinha cruzado. Naquela tarde e apesar de ninguém ter ganho nada a circulação do dinheiro pela vila amenizou em muito a crise e animou a economia local.


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