Redige habitualmente em latim, língua que não domina nem tão pouco conhece, artigos científicos que as revistas da especialidade teimam em não publicar. Para a TV7 DIAS e MARIA escreve artigos económicos. No tempo que lhe sobra escreve aqui.
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Mai 10
jls, às 16:46link do post | comentar | |

 

Se Deus está em todo o lado e o Diabo nos pormenores, verdade de Sísifo, assim o é porque Mourinho, o Rei, os colocou a jogar nessas posições.

 

Ganhar é como respirar disse um dia. A fórmula, a que existe apenas na cabeça dos que complicam, é que Mourinho consegue ver as coisas simples como mais ninguém as vê, da maneira mais simples.

 

Entre a coragem, a beleza, a fereza, a justiça, a equidade, a astúcia, a honra, a lealdade e a magnanimidade, Mourinho prefere sempre a simplicidade. É um caminho como os outros mas nunca um atalho. Se os mortais escolhem um caminho Mourinho escolhe-os todos. Os óbvios, os difíceis, os reais, os impossíveis, os curtos, os longos e quando não há nenhum constrói-o com as suas mãos. Depois é optar pelo mais conveniente. Dá trabalho é verdade, mas ter sorte dá mesmo muito trabalho.

 

Se para ganhar for preciso dar a bola ao adversário, assim seja. Que a troquem com mestria, entretenham o publico e encantem o Mister provando-lhe como certos os ensinamentos dos treinos. Mas para ganhar é preciso mais. É ir além do certo e ainda lhe juntar a vontade. Sofrer faz parte da vida, do jogo e do sonho. Na final de Madrid também houve sofrimento. Controlado como sempre. Dar 70% de posse de bola a um adversário é dar-lhe a confiança e o conforto necessário para que após instalados em campo cometam os dois a três erros necessários à derrota e ainda assim, apesar do desconforto, saiam convencidos que foram os melhores.

 

Fosse óbvia a diferença entre jogar e ganhar que muitos a perceberiam. Herrera suspendeu um dia um jogador por ter dito a um jornalista “viemos aqui jogar” em vez de “viemos aqui ganhar”, certamente Mourinho faria o mesmo. A sua vantagem nesta final, além do completo conhecimento do adversário, foi, mais uma vez, subjugar o meio que a envolvia em seu favor. Enquanto o Bayern começou a jogar às 19.45H de sábado Mourinho já jogava há uma semana. Nesses dias desviou a pressão do circo mediático sobre a sua equipa para si próprio poupando assim os jogadores. Era arriscada a jogada até porque estando de saída e não ganhando dificilmente os jogadores lhe perdoariam esse excesso de protagonismo. Não os do Inter, mas já os do Real. E foi aí nos pormenores e nas coisas simples da vida que a diferença surgiu, aos jogadores não lhes pediu para ganharem por ele, nem tão pouco pelos próprios, vençam pelos vossos filhos e pelo orgulho que esta noite histórica representará na vida de todos, ou ninguém percebeu que as crianças estavam a penas a um abraço do relvado. Os jogadores, humanos como sempre, acederam.

 

A lição é a mesma que serve a qualquer argumentista. Nunca começar uma boa história não tendo primeiro um excelente final. Há muito que Mourinho escolheu o seu; ganhar sempre. Hoje escreveu mais um capítulo da história.


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