Redige habitualmente em latim, língua que não domina nem tão pouco conhece, artigos científicos que as revistas da especialidade teimam em não publicar. Para a TV7 DIAS e MARIA escreve artigos económicos. No tempo que lhe sobra escreve aqui.
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Nov 09
jls, às 12:56link do post | comentar | |

Foi em cuecas que Elvis chegou ao Supremo. Numa das mãos trazia mais certidões do processo “face oculta” na outra a tabela de preços dos acórdãos para os arguidos que os juízes praticam.

 
Só não se cruzou com Noronha à entrada por um daqueles meros acasos a que o destino teima em chamar atraso. Noronha apesar de atrasado nessa manhã já se tinha cruzado com duas escutas engripadas, uma certidão coxa e um processo surdo, estava a ser um dia como tantos outros.
 
Mas ao ver Elvis tudo mudou. Inicialmente confundiu-o com a Dona Idalina das fotocópias, talvez pelo cabelo armado, mas depois reparando melhor na cueca teve a certeza que não. Parecia-lhe agora o seu velho candeeiro, mas o abajur era diferente. Penteou a barba para ver melhor e depois sim, reconheceu-o. Sem dúvida que era ELVIS.
 
Mandou-o entrar. Enquanto arquivava as certidões do processo face oculta, dado envolverem o primeiro-ministro, mandou a secretária servir 2 cafés e um cabrito à padeiro. Para o Rei só o melhor.
 
Noronha sempre se sentiu Rei, no entanto perante a presença daquela curiosa criatura, que permanecia em cuecas, sentia-se esmagado. Queria perguntar-lhe como estava e outras coisas mas as palavras teimavam em não querer sair. Só por gestos e em Inglês se conseguiu expressar.
 
Elvis sorriu e pegando numa viola imaginária tocou alguns acordes enquanto cantava a tabela de preços dos acórdãos para os arguidos. Noronha foi para bateria e acompanhou-o.
 
Elaboração do acórdão pelo arguido,
são 100 mil euros, 100 mil euros.
 
Conhecimento antecipado da totalidade do acórdão pelo arguido,
são 75 mil euros, 75 mil euros.
 
Conhecimento antecipado do resultado do acórdão pelo arguido,
são 50 mil euros, 50 mil euros.
 
Conhecimento antecipado do resultado do acórdão pelo arguido,
via terceiros, via terceiros, são 30 mil euros.
 
Possibilidade de apostar e influenciar na BWIN o resultado do acórdão,
são 10 mil euros, 10 mil euros.
 
Esperar nervosamente que os juízes decidam sozinhos,
estás lixado, estás lixado.
O mesmo, mas no Brasil
já estas safo, já estas safo.
 
E aos preços ainda acresce o IVA,
à taxa em vigor, à taxa em vigor.
 
Não fosse a Toga de Noronha ter-se enrolado no pedal da bateria, que repetiriam esta “ode à justiça” vezes sem conta.
 
Mas Elvis afinal era mesmo o velho candeeiro de canto com o abajur torto e Noronha ainda tinha um cesto de vindimas cheio de processos para arquivar. Olhou com ternura para o cabrito à padeiro que arrefecia em cima do portátil e pegando numa côdea de pão para provar o molho decidiu dadas todas estas circunstancias extraordinárias que tinham acabado de lhe acontecer que a justiça tinha de ser entregue aos políticos e não aos policias que só aborrecem quem não devem. Tal como no Flashforward depois acordou.

É uma bela e alucinante historia sem duvida. :)
Carlos a 13 de Novembro de 2009 às 13:12

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