Redige habitualmente em latim, língua que não domina nem tão pouco conhece, artigos científicos que as revistas da especialidade teimam em não publicar. Para a TV7 DIAS e MARIA escreve artigos económicos. No tempo que lhe sobra escreve aqui.
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Out 09
jls, às 17:39link do post | comentar | |

Foi no intervalo da missa que o encontro aconteceu. A reunião secreta foi nos escritórios da Máfia em Linda-a-Velha. De um lado a construtora do regime (Mota-Engil ME) cujos membros chegaram montados numa retroescavadora Caterpillar 434E, do outro ainda com as molas nas calças de capacete e com as mãos cheias de óleo da corrente da bicicleta António Costa (AC) o presidente da autarquia. Para intermediar o encontro dois administradores do Porto de Lisboa (APL), que se fizeram deslocar em três jactos particulares. Eu apenas servi os cafés.

 
A concordata final acabou por ser assinada mas as negociações foram duras.
 
APL – O melhor é sentarem-se em lados opostos da mesa. Assim dá a entender que isto é um encontro de amigos e não um confronto. É futuro da capital que discutimos aqui.
 
AC – Mas nós somos amigos, e leais.
 
APL – Mas em acta tem de ficar registada a negociação.
 
ME – Negociação? Mas não vínhamos assinar só uns papéis?
 
APL – Meus senhores, como sabem há Lisboetas, desinformados certamente, que ainda não descobriram as vantagens dos contentores em Alcântara. Nós, APL, visionários, sabemos do perigo que são os piratas Somalis e de que forma a nossa capital está vulnerável. O que propomos é uma barreira de contentores de Algés até à Expo. Achamos que 25 metros de altura serão suficientes para nos defender.
 
ME – Mas isso é uma excelente ideia. E porque de Algés? Assim deixamos vulneráveis as posições na Cruz-Quebrada e Caxias?
 
AC – Caxias já não é problema meu, agora a Cruz-Quebrada tem de ser defendida. Mas isso não será contentores a mais?
 
APL – E em frente aos contentores abriremos uma Auto-estrada para os senhores terem livre acesso aos vossos contentores. Claro que a têm de a construir, mas as portagens são nossas.
 
AC – Uma auto-estrada em Lisboa? Eu queria era tirar carros de Lisboa, uma auto-estrada não me parece nada boa ideia.
 
ME – Nisso o Costa tem razão. Mais carros em Lisboa não, vão atrapalhar a movimentação dos nossos camiões. Está decidido a Auto-Estrada é só para camiões.
 
AC – Só para camiões? Acho que o Santana vai dizer que sou um idiota. E se fizéssemos um túnel?
 
ME – O importante é que estamos a chegar a um entendimento.
 
AC – Estamos? Não sei o que vou dizer ao dizer ao Miguel Sousa Tavares, acho que ele vai pensar que sou um idiota.
 
ME – Ao Tavares pode dizer que Lisboa já é segura e que com a Barreira ele já não precisa de se exilar no Brasil.
 
AC – E o Tejo? Nunca mais o vamos ver. Se calhar os Lisboetas vão pensar que sou um idiota.
 
ME – O Tejo? As pessoas querem lá ver água. Querem ver o Tejo vão a Espanha. Quando o começarmos a drenar também vai deixar de existir.
 
APL - Vão drena-lo? Então e os nosso empregos? Senão há Tejo não há porto e Lisboa precisa de nós.
 
ME – Construímos um rio junto ao Castelo. E fazemos dois portos. Um na Graça e outro no Martim Moniz.
 
AC – No Martim Moniz? Mas para aí já tenho planos.
 
ME – Homem, não seja idiota. Planos temos nós. Você quanto muito pode ter uma ideia ou outra para nós analisarmos.
 
APL - Parece bem isso dum rio no Castelo. Desse rio podemos ver o outro, ou que vai restar dele.
 
AC – Se me permitem dar uma opinião totalmente descabida, e talvez seja mesmo idiota mas houve uma altura em que sonhei numa Lisboa sem contentores.
 
ME – Mas o Homem está maluco ou que? Como é que se abastecem as lojas chinesas? Você não viaja? Contentores são um sinal de modernidade. Veja por essa Europa fora. Sabe quantos contentores se empilham, uns em cima dos outros, no porto de Luanda? 12. E no Cairo, por acaso sabe? 
 
AC – 10?
 
ME – Não, porque ainda não tem porto. Mas logo que o tenham, ou o mar o que chegar primeiro, vão ter 14. E tenho um amigo espanhol que me diz que em Madrid não se fala de outra coisa. Na infelicidade de não terem um porto para porem contentores.
 
AC – Não me diga. Bem se é assim que venham os contentores. Primeiro para Alcântara e depois para o resto da cidade. Queremos uma capital ao nível das mais desenvolvidas.
 
ME – Isso é que falar Costa. Para já vamos empilhar 5 para os Lisboetas verem o Cristo Rei e um ou outro avião a passar. Depois das eleições logo pensamos melhor nisto. Assine aí.
 
AC – Só 5? Assim vão pensar que sou um idiota.

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