Redige habitualmente em latim, língua que não domina nem tão pouco conhece, artigos científicos que as revistas da especialidade teimam em não publicar. Para a TV7 DIAS e MARIA escreve artigos económicos. No tempo que lhe sobra escreve aqui.
31
Ago 10

Paulo Sérgio, treinador do Sporting, dá mostras que ao nível táctico-linguístico está uns furos acima de Jorge Jesus. Pediu à sua direcção um avançado diferente, estas são as suas palavras:

 

“Quero um avançado com estatura, falta-nos um pinheiro, com 1,90 metros, que a gente acerte na cabeça dele e a bola vá para a baliza.”

 

A poucas horas do fecho do mercado e contactadas as bases de dados dos agentes Fifa, os três jogadores mais similares a pinheiros, cepos em futebolês, e que se aproximam da descrição do treinador são: Saleiro, Pongolle e Postiga que já estão precisamente sob as suas ordens. Os critérios analisados são os normais nestas situações. Mobilidade, técnica e inteligência.

 

Ao não atender à pretensão do treinador por questões financeiras a direcção sugere que Paulo Sérgio treine os mecanismos e automatismos da restante equipa, nomeadamente a pontaria, que em Janeiro próximo terá uma prenda. Um belo carvalho-roble, da formação do Horto Campo Grande.

 

 


26
Ago 10

 

 

Regressado de férias e sem notícias da mulher, a monte com o seu amigo imaginário, Carlos decidiu marcar mais uma consulta com o seu Psiquiatra, o Doutro Cadélico. Este é o excerto da consulta T10E136.

 

(c) - Sabe doutor, nas férias pensei muito no que Platão me disse: A vergonha humana surge apenas ante a ameaça da descoberta.

 

(psi) - Falou com Platão?

 

(c) - Sim. Da escola clássica é com quem mais falo.

 

(psi) - Platão está morto. Como é que falou com ele?

 

(c) - Morto? Que tragédia… Ainda na semana passada aqui me cruzei com ele.

 

(psi) - Ah, esse Platão. O meu paciente.

 

(c) - Claro, pensava que era o filósofo? Ah ah ah.

 

Com um movimento rápido e preciso o Doutor Cadélico saca duma Beretta e aponta-a à cabeça de Carlos.

 

(psi) – Nunca se ria de mim, ok?

 

(c) – (…) Acho que ameaçar um paciente com uma arma não é das melhores terapias. É a minha opinião, que sou apenas licenciado em Psicologia e não doutorado como o senhor.

 

(psi) – Um destes dias peço uma segunda opinião. Até lá seguimos com a minha terapia. Entretanto perdi-me no raciocínio.

 

(c) – Ah ah ah. Junte-se ao clube. Perdidos andamos todos.

 

(psi) – Riu-se?

 

(c) – Não, não. Desculpe. Falava-mos na dicotomia vergonha/descoberta.

 

(psi) – Tudo se relaciona. No seu caso comer borrego é a solução.

 

(c) – Não consigo. Lembra-me o dia em que ela partiu.

 

(psi) – Por falar em partir. Tenho aqui duas más notícias para lhe dar. Chegaram-me ontem os resultados dos exames que fez.

 

(c) – Más noticias?

 

(psi) – Sim, muito más. Tem um cancro na carola.

 

(c) – Meu Deus, um cancro. E a segunda?

 

(psi) – Também lhe diagnosticaram Alzheimer.

 

(c) – Meu Deus, Alzheimer. (…) Bem, pelo menos não tenho cancro.

 

(psi) – É injusta a vida Daniel. Vou ajuda-lo na sua dor.

 

(c) – Daniel? Mas eu sou o Carlos. Trocou-me novamente com o paciente das 15H?

 

(psi) – (…) Deixe-me consultar a agenda. Tem razão Carlos. Esses exames não são seus. Os seus estão aqui, na hora do Daniel.

 

(c) – Ainda bem. Pobre Daniel.

 

(psi) – Oh diabo! Isto não está nada bom. Cancro, Alzheimer e Parkinson. Lamento muito.

 

(c) – Empreste-me a arma doutor.

 

(psi) – Ah ah ah. Estava a entrar consigo. Só tem Alzheimer. Até para a semana e venha na hora do Daniel para eu acertar a agenda.


18
Ago 10

 

 

O meu divertimento favorito de Sábado é ler as crónicas que Ernesto Ferreira da Silva escreve no Jornal A Bola. Lê-se a crónica de Ricardo Araújo Pereira, sempre excelente e cheia de graça, e depois continuando no registo humorístico passamos para EFS.


O tema da crónica de EFS é sempre o mesmo; encontrar semana após semana características únicas que façam do Sporting o maior clube europeu logo depois de Barcelona e Real Madrid. A piada da crónica está em pensarmos que EFS acredita no que escreve e, tarefa mais difícil, fazer com que algum Sportinguista tenha orgulho naquelas manhosas estatísticas e duvidosas descobertas que faz.


Para quem está atento ao fenómeno desportivo facilmente encontra contradições no discurso de EFS. Sendo o Sporting a terceira potência desportiva portuguesa, depois do Benfica, do Porto e vendo um Braga cada vez mais perto pelo retrovisor, EFS desvia o assunto do futebol, considerando-o marginal ao fenómeno desportivo, valorizando modalidades menores para depois num golpe de rins de fazer inveja ao Polga orgulhar-se das palavras de David Villa do Barcelona, exponenciando-as ao ridículo, de servirem como medida do prestigio internacional do Sporting.


Sendo este espaço um lugar dedicado ao humor tomei a liberdade de copiar parte da crónica da passada semana onde além desta pérola outras podemos encontrar. Na citação que aqui vos deixo EFS chama arruaceiros aos que como eu o alertam através da escrita para a necessidade urgente de voltar às consultas de psiquiatria dado o Real (e já agora Barcelona) afastamento da realidade que padece.


“Sporting Candidato

 

Com base nas exibições já realizadas é minha convicção que os jogadores do Sporting vão honrar a camisola, deixando tudo, mas tudo, em campo, em todos os jogos desta época.


Paulo Sérgio voltou a assumir esse compromisso, em entrevista bem conseguida, ao jornal do Sporting, o mais antigo dos publicados pelos clubes Europeus. A propósito: quando na semana passada aqui escrevi que o Sporting era o clube português com mais presenças nas competições europeias (só ultrapassado pelo Barcelona e Real Madrid) logo saíram à liça alguns arruaceiros dizendo, sem desmentir a afirmação, entre outros dislates, que a grandeza dos clubes não se media pelas participações na EUFA, nem pelo numero de museus, nem pelo numero de praticantes, nem pela excelência da formação, nem pelo numero de títulos de todas as modalidades. O que contava era as vitórias no futebol, o resto era conversa, diziam.


O certo é que o prestigio internacional do Sporting é reconhecido a cada momento, como provam as declarações de David Villa, do Barcelona ao Record de ontem, que disse ter Zapater feito “muito bem” em trocar o Génova pelo Sporting porque ele, Zapater, queria “ganhar títulos, jogar sempre para o primeiro lugar, crescer como futebolista”. Agora, Villa diz que vai “estar mais atento À Liga Portuguesa, em particular ao Sporting”, pois está “sempre a torcer pelo sucesso” do amigo Zapater.”

 

No mesmo dia e numa exibição paupérrima o Sporting respondia à motivação e fé Ernestiana com a primeira derrota da época em Paços de Ferreira.


17
Ago 10

 

 

As festas em honra de S. Tiago, padroeiro da vila, são as maiores e mais badaladas da freguesia, talvez também por serem as únicas. Ano após ano trazem sempre a estas paragens muitos e muito emigrantes, alguns dos quais do estrangeiro. Pessoas da terra que vivem fora, aproveitam também esta altura do ano para aliar a um merecido descanso o visionamento dos imigrantes. Este ano a comissão de festas (CF) decidiu expô-los no campo da bola.

 

Sábado, o começo.

 

É com a alvorada que começam as festas. É o Maneta, presidente da CF e experiente técnico de pirotecnia, que manhã cedo lança os primeiros foguetes. Os outros elementos juntamente com a população mais madrugadora e os bombeiros estão já a postos e reunidos no campo da bola para apagar o incêndio que se segue. Alfredo, comandante dos bombeiros, já negociou com o Maneta que no próximo ano a alvorada será em Dezembro num dia de chuva.

 

 

 

Apagado o incêndio, segue-se a ronda e a arruada. A CF, guiada pela pandeireta e acompanhada pela concertina percorre as ruas da vila entrando em cada uma das casas. Além dum copo de vinho pede uma pequena e peculiar ajuda monetária para os projectos da junta. Esta ajuda não deve ser inferior a 100 euros sob pena de alguns elementos da CF, ainda que em clima de festa, partirem para a violência espancando os locais. É a tradição.

 

Este ano foi Macário que levava o cartaz com a mensagem: “Partimos um dedo a quem deitar para a manta: botões, notas tunisinas ou moedas marroquinas. Gratos pela vossa compreensão.”

 

Os projectos da junta para o próximo ano, em torno dos quais a comunidade se uniu, são:

 

- Acabar as obras na casa do presidente;

- Trocar o Mercedes do presidente, de 2009, por um mais recente;

- Substituir as oliveiras dos jardins públicos, por outras oliveiras das hortas do presidente, concurso público a lançar em Setembro;

- Reunir fundos para a lipoaspiração da mulher do presidente;

- Juntar dinheiro para a campanha do filho do presidente a delegado de turma do 7ºB.

 

Após o êxito das festas do passado ano, que trouxeram a estas paragens nomes sonantes como Ana Raposo, Carlos Ventura e o DJ Tó Canhoto, que esteve a tirar imperiais a noite inteira pois roubaram-lhe a bolsa dos Cds prejudicando assim a sua actuação que teve de ser cancelada. Este ano a CF decidiu elevar a fasquia.


 

 

Quim do Barreiro, cançonetista popular, não fosse o caso de ter um 1,95 mts de altura, ser loiro e não ter bigode, passaria facilmente por Quim Barreiros, artista que gosta de imitar.

 

Confrontado com o facto do seu nome facilmente se confundir com o do castiço Quim, António, assim se chama Quim do Barreiro diz que nem tinha reparado, mas que o mesmo se deve a uma feliz coincidência que aproveita para contar.

 

Foi dum seu tio que viajou para a América ainda novo, e se chamava Francisco, que ele carinhosamente herdou o diminutivo, assim como um tractor e algumas dívidas. O seu tio, hoje preso, é um dos seus maiores fãs.

 

Quanto ao apelido Barreiro, explica-se pelo facto de uma vez há 10 anos atrás, quando regressava do Algarve com Judite, sua mulher, se ter enganado na saída do Montijo para fugir ao transito da 25 de Abril, e acabar perdido no Barreiro. Acabaram por jantar lá, num restaurante que ainda hoje é talismã para si pois foi aí que comeu a melhor mousse de chocolate de pacote da sua vida. Não se lembra do local do restaurante, nem de como lá chegou, na memória apenas lhe ficou que tinha uma porta de vidro à entrada e se chamava Restaurante Mindelo.

 

Barreiro, na sua actuação, deliciou-nos com românticas músicas do seu vasto reportório donde se destacam praticamente todas. Os peitos da cabritinha, original de Quim Barreiros, foi a que mais entusiasmou o publico presente tendo mesmo e em clima de festa dado inicio uma valente cena de pancadaria.

 

Consta-se que tudo terá começado quando Américo, virando-se para Aurora mulher de Bernardino, entoou efusivamente:

 

“Ponho o carro, tiro o carro, há hora que eu quiser
Que garagem apertadinha, que doçura de mulher
Tiro cedo e ponho à noite, e às vezes à tardinha
Estou até mudando o óleo na garagem da vizinha!”

 

Como não era essa a musica que passava no momento, Bernardino entendeu isso como um acto de provocação e apesar de saber que a sua mulher se enrolava com qualquer um, puxou da pressão de ar disparou para o ar sobre a multidão. À GNR disse posteriormente que tentava acertar numa cotovia que lhe fugia há anos e mais não dizia sem a presença do seu mecânico.

 

Domingo, a continuação.

 


11
Ago 10
jls, às 14:47link do post | comentar | |

 

 

Há um mês, mais coisa menos coisa, Ernesto Ferreira da Silva (EFS) escrevia numa crónica do jornal A Bola que o Sporting ao conquistar mais um titulo, perdoem-me e não é por maldade mas não me recordo em que modalidade, já era a maior potencia desportiva europeia logo depois de Real Madrid e Barcelona.


Para tão brilhante conclusão os argumentos que apresentou eram um conjunto de duvidosas estatísticas que um amigo seu de Leiria cozinhou e lhe fez chegar. Nessas estatísticas cruzavam-se o número de modalidades do clube com o número de títulos por modalidade, a data de fundação do clube e também, este ficou-me na memória, o número de museus que cada clube tem. No caso do Sporting dois. Tudo baralhado e enviesado permitia a EFS concluir que numa Europa de 492 milhões de pessoas e milhares de clubes quem pensa desportivamente pensa no Real Madrid no Barcelona e depois no Sporting de Lisboa.


Sábado passado numa nova crónica na Bola EFS volta à carga dizendo o seguinte: Com a brilhante vitória sobre o Nordsjaelland o Sporting iniciou a sua 51ª participação em competições da EUFA, sendo apenas ultrapassado em número de presenças por Real Madrid e Barcelona.


É com grande expectativa que aguardo novas descobertas de EFS que provem a grandeza do Sporting e ao mesmo tempo nos divirtam. Avanço já com três sugestões: A menor distancia para um aeroporto internacional, a menor distancia para um clube de verdadeira dimensão mundial e a menor distancia para um supermercado Lidl. Aqui nem Real Madrid nem Barcelona, é o Sporting que ganha as três.


Por fim e a título de curiosidade deixo estas estatísticas que provam que de facto Real Madrid e Barcelona são mesmo os maiores clubes da Europa, e do mundo, mas provavelmente por algum erro técnico ao Sporting juntaram-lhe mais um “1” na posição. Assim não é o 3º como gostaria EFS mas o 31º. O que nos vale é que as crónicas de EFS vem depois da “Chama Imensa” de Ricardo Araújo Pereira e assim continuamos a rir e no registo da palhaçada.


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