Redige habitualmente em latim, língua que não domina nem tão pouco conhece, artigos científicos que as revistas da especialidade teimam em não publicar. Para a TV7 DIAS e MARIA escreve artigos económicos. No tempo que lhe sobra escreve aqui.
31
Mai 10

 

 

Deu o alarme o Sr. Soares chefe do PBX da PT. Vi no outro lado da rua dois homens encorpados e um terceiro muito parecido com o Arnold Swarnzeneger acompanhados pelo grupo de forcados da Moita a meterem à força dentro duma furgoneta azul adolescente a nossa Golden Share.

 

Mas como raio é que sabe que era o grupo de forcados da Moita, perguntou o inspector da Policia Judiciaria (PJ) enquanto esmurrava na boca o Sr. Soares perante a passividade do Conselho Executivo (CE) e o aplauso do Conselho de Administração (CA).

 

Porque a matricula além do número 10320 tinha também as inicias deles; GFM, disse Soares enquanto cuspia o dente do siso, um canino e dois incisivos. E 10320 são as pegas que já fizeram por todas as praças e bordéis do país. Sei-o porque sigo a carreira deles, completou entre dentes.

 

E tem a certeza que era a nossa Golden Share? Percebeu Soares pelo pontapé do CEO do CE nos seus genitais. Absoluta, balbuciou antes de desfalecer e ainda dizer: Nunca esquecerei a maneira como ela esperneava, já na OPA da Sonae a vi espernear assim.

 

Tragam água gritou o Chairman da companhia para dois vice-presidentes que logo deram a ordem aos Administradores delegados que só com um olhar conseguiram que os Directores gerais começassem a correr em direcções opostas para o mesmo bar, isto enquanto esbofeteava mais uma vez o velho Soares que já desmaiado tombou lentamente aterrando com estrondo na ensanguentada carpete.

 

10320 GFM é a matrícula dum carro espanhol, disse, perante o espanto geral, o Administrador com o pelouro Financeiro enquanto bebia a água. Esse homem está a mentir, executem-no.

 

Como assim? Perguntou o Inspector da PJ esmurrando o pelouro financeiro.

 

É a matrícula dum carro espanhol repetiu o Administrador Financeiro apanhando do chão o que restava do pelouro partido. Já estive em Espanha e sei que as matriculas são como a que descreve o Soares. Foram os Espanhóis que a levaram, temos de mata-los.

 

Mas porquê esta violência toda perguntou uma das 12 secretárias do Charmain, apontando a pistola ao Administrador nomeado pelo BES. Você ainda não me arranjou a camisola da selecção assinada pelo Cristiano Ronaldo sabe que a sua vida corre perigo. Enquanto dizia Ronaldo sentiu o murro na nuca, sentiu-se a desfalecer e a preocupação a invadir-lhe o coração pois tinha de ir buscar os miúdos às 18H e sem sentidos considerou que iria ser uma tarefa difícil.

 

Agora perdi-me, disse o Actor. Na Acta lavro o que? Deve figurar esta afirmação da camisola da selecção ou volto ao ponto de matar os espanhóis, perguntou ao inspector da PJ. Volte ao Espanhóis, disse este rogando uma praga à secretária pela dor que lhe tinha causado no punho. A lógica do Administrador do pelouro partido faz sentido.

 

Você ainda vai cair daí. Disse o Administrador, procurando em várias gavetas o folheto IKEA da montagem do pelouro, ao inspector da PJ que empoleirado numa cadeira virava ao contrário os quadros com os retratos dos antigos Primeiros-ministros ao lado de velhas Golden shares. Não quero testemunhas do que se está a passar aqui, disse no preciso momento que caía indo de encontro às expectativas de quem o avisara e principalmente do Soares que ainda desmaiado no chão lhe amorteceu a queda.

 

Este bandalho está metido com os Espanhóis e juntos roubaram a Golden Share. São as ilações que podemos tirar. Quem é que informa o Primeiro-ministro?

 

O silêncio que se seguiu foi o sinal para descer o pano e assim terminar o segundo acto.

 

Excerto da peça “A OPA”, de Jon Tarantino em palco até dia 25 no Teatro da Guerra Aberta.


27
Mai 10

 

 

Começou por ser um mero boato que se transformou num mero rumor passando depois a um mero reboliço até que foi ganhando corpo e chegou a mera aldrabice. Hoje tudo mudou e a confirmação chegou pelas vias oficiais com a publicação da notícia no Jornal Espanhol Diquia de la Semania.

 

José vai para Espanha. Os Espanhóis que já andavam loucos com o Português pelo o seu carisma, pela sua elevada auto-estima, pela sua combativa postura e imagem de marca não resistiram aos seus mais recentes êxitos, principalmente à forma como se exprime em Espanhol, e estão dispostos a abrir os cordões à bolsa para o ter já.

 

O Rei Juan Carlos iniciou as diligências necessárias à rescisão do contrato que os liga a José Luis Zapatero por mais uma época e pretende levar já José Sócrates para governar os Espanhóis. Numa declaração breve ao Sistema de Vídeo vigilância do El Corte Inglês disse: “Não é uma decisão fácil, mas estamos convencidos de que precisamos de um novo caminho e estamos absolutamente encantados que seja José a guiar-nos

 

Quanto à desvinculação de Sócrates de Portugal, a negociação será fácil, extremamente fácil, havendo já um grupo no facebook que se disponibiliza a pagar a cláusula de rescisão do seu contrato. É provável que Sócrates se faça acompanhar da sua equipa técnica, secretárias, sete motoristas e do seu braço esquerdo o brinca no betão J.Coelho.

 

Como curiosidade e por coincidência há também outro Português que por esta altura ruma a Espanha, um tal de José Mourinho.


24
Mai 10

 

Se os gravadores estão no 4ºjuízo cível da 3ªsecção do Palácio da Justiça de Lisboa, piso 5, porta 6, secretária 2, gaveta 4, entre a Bola de sexta-feira e a Playboy de Maio então onde é que estão as minhas retroescavadoras?

 

Foi com esta pergunta que Gil Auto interrompeu as quartas jornadas dedicadas ao tema: Cenas Perdidas que Passado. Organizadas pelo grupo parlamentar do PS o encontro pretendia inicialmente identificar para onde desapareceram os impostos dos Portugueses, uma ou outra comissão paga aos gestores públicos, a capacidade de endividamento do país e também a inocência perdida de Sócrates. Daí ao assunto dos gravadores palmados por Ricardo Rodrigues foi a distância dum café a um cigarro.

 

E foi nesta altura que Gil Auto interrompeu as jornadas. Entre a incómoda pergunta e a altura em que o segurança do evento puxou da pistola automática Walter P99 e disparou os primeiros 12 tiros apresentou-se. O meu nome é Gil NacionalCar e os meus amigos carinhosamente e por razões comerciais tratam-me por Gil Auto. Estou aqui na qualidade de proprietário dum stander de automóveis semi-usados que também vende máquinas industriais, máquinas agrícolas, máquinas para serviços e comercio em geral, máquinas de cozinha, máquinas fotográficas, máquinas impressoras e retroescavadoras.

 

O que se passa é o que o senhor deputado cujo penteado me faz lembrar um falecido tio meu, pois também ele tinha um guedelho branco, me visitou na passada semana a modos que interessado num veículo semi-usado de marca Opel Corsa 1.2 de 1982, um clássico portanto, e após lhe ter dito que o veículo, anterior propriedade de uma senhora idosa que mal o tirava da garagem e por isso os 12.000 kms eram mais que reais, importava na quantia de 125 euros despesas de legalização incluídas abalou da minha beira a praguejar e nunca mais o vi a não ser na TV a embolsar uns gravadores duns senhores jornalistas. Dá-se a coincidência que no mesmo dia que o senhor deputado que agora identifico como sentado na terceira fila me visitou, duas retroescavadoras desapareceram de tal forma que nunca mais as vi. Mesmo sendo eu fraco em contas lá consegui com a ajuda duma calculadora somar dois mais dois e achar que o senhor e dadas as circunstancias, e até pelo facto do sistema de vídeo vigilância ter captado o momento, é suspeito de me ter surripiado as ditas retroescavadoras.

 

Perante o silencio da sala e o avanço dos tiros, nesse momento as primeiras balas passavam a fila F, foi Francisco Assis que pedindo a palavra ao presidente da mesa 4 saiu em defesa de Ricardo Rodrigues. Pedindo desculpa à plateia acenou a Gil Auto com um contrato para duas auto-estradas e um TGV assegurando que o seu amigo e deputado ludopatago, mitómano e cleptómano lhe iria devolver as miniaturas. E não fosse o caso de uma das balas ter perfurado o crânio de Gil, outra o coração e outra ainda o melhor dos seus dois pulmões, impedindo-o assim de celebrar o contrato de import-export com um fabricante Tailandês para fornecer o estado estas três grandes obras não teriam sido adiadas. Hoje o país estaria mais pobre, o segurança não teria sido medalhado e os gravadores continuavam perdidos.


23
Mai 10
jls, às 16:46link do post | comentar | |

 

Se Deus está em todo o lado e o Diabo nos pormenores, verdade de Sísifo, assim o é porque Mourinho, o Rei, os colocou a jogar nessas posições.

 

Ganhar é como respirar disse um dia. A fórmula, a que existe apenas na cabeça dos que complicam, é que Mourinho consegue ver as coisas simples como mais ninguém as vê, da maneira mais simples.

 

Entre a coragem, a beleza, a fereza, a justiça, a equidade, a astúcia, a honra, a lealdade e a magnanimidade, Mourinho prefere sempre a simplicidade. É um caminho como os outros mas nunca um atalho. Se os mortais escolhem um caminho Mourinho escolhe-os todos. Os óbvios, os difíceis, os reais, os impossíveis, os curtos, os longos e quando não há nenhum constrói-o com as suas mãos. Depois é optar pelo mais conveniente. Dá trabalho é verdade, mas ter sorte dá mesmo muito trabalho.

 

Se para ganhar for preciso dar a bola ao adversário, assim seja. Que a troquem com mestria, entretenham o publico e encantem o Mister provando-lhe como certos os ensinamentos dos treinos. Mas para ganhar é preciso mais. É ir além do certo e ainda lhe juntar a vontade. Sofrer faz parte da vida, do jogo e do sonho. Na final de Madrid também houve sofrimento. Controlado como sempre. Dar 70% de posse de bola a um adversário é dar-lhe a confiança e o conforto necessário para que após instalados em campo cometam os dois a três erros necessários à derrota e ainda assim, apesar do desconforto, saiam convencidos que foram os melhores.

 

Fosse óbvia a diferença entre jogar e ganhar que muitos a perceberiam. Herrera suspendeu um dia um jogador por ter dito a um jornalista “viemos aqui jogar” em vez de “viemos aqui ganhar”, certamente Mourinho faria o mesmo. A sua vantagem nesta final, além do completo conhecimento do adversário, foi, mais uma vez, subjugar o meio que a envolvia em seu favor. Enquanto o Bayern começou a jogar às 19.45H de sábado Mourinho já jogava há uma semana. Nesses dias desviou a pressão do circo mediático sobre a sua equipa para si próprio poupando assim os jogadores. Era arriscada a jogada até porque estando de saída e não ganhando dificilmente os jogadores lhe perdoariam esse excesso de protagonismo. Não os do Inter, mas já os do Real. E foi aí nos pormenores e nas coisas simples da vida que a diferença surgiu, aos jogadores não lhes pediu para ganharem por ele, nem tão pouco pelos próprios, vençam pelos vossos filhos e pelo orgulho que esta noite histórica representará na vida de todos, ou ninguém percebeu que as crianças estavam a penas a um abraço do relvado. Os jogadores, humanos como sempre, acederam.

 

A lição é a mesma que serve a qualquer argumentista. Nunca começar uma boa história não tendo primeiro um excelente final. Há muito que Mourinho escolheu o seu; ganhar sempre. Hoje escreveu mais um capítulo da história.


16
Mai 10

 

 

Há 9 anos 34.250 euros e 78 rugas atrás Fábio Dezcartas, bisneto de René Descartes criador do racionalismo e primo esquerdo de Fábio Coentrão criador da lateral esquerda encarnada, previu que 9 anos depois teria o dinheiro suficiente para fazer a operação ao seu lado emocional.

 

É no Xadrez que Fábio treina as suas capacidades e aí apura o seu racionalismo. Após a 4ª jogada consegue visualizar na sua mente com uma nitidez de 100 hz, uma resolução panorâmica de 1920x1080p e uma luminosidade de 550cd/m2, tudo em Full HD, cento e oitenta e quatro mil novecentas e cinquenta e duas potencias jogadas. Na vida não consegue tanto, o seu máximo é apenas de 64.320 decisões importantes ou 93.825 decisões médias o que em anos de vida futuros, os seus, dá 10.

 

Foi com esta objectividade que previu o tempo que lhe demoraria a juntar o dinheiro para se ver livre das emoções. Antes ainda exercitou sobre o numero de vezes que se apaixonaria, os dissabores que isso lhe traria, o quanto sofreria, e em quanto isso se traduziria em euros e más decisões. É num pequeno caderno preto que tem tudo anotado.

 

Que a operação ia ser complicada também já estava previsto. Demoraria entre seis e oito horas. O que não estava previsto é que o lado emocional já estivesse tão desenvolvido. Os últimos exames ao coração apenas indicavam a mancha sobre o ventrículo direito e parte da aorta. Mas também a veia cava superior já estava inflamada. Num paciente normal o lado emocional ocupa 40 a 45% da massa inorgânica mas no caso de Fábio e pelos resultados dos exames esses valores eram uns perigosos 13%, de peito aberto os médicos verificaram que havia mais 5%. O abismo já tinha uma profundidade de 18%. No caderno preto que os médicos consultaram esta situação ainda que não prevista remetia para a acção de tirar o máximo possível sem perigo para o paciente. Assim fizeram, tiraram 15%.

 

Tornar-se um ser 100% racional era o seu sonho, um caso único da medicina moderna. Aos seus amigos que o alertavam para o perigo da operação respondia sempre da mesma forma: Não se preocupem que quando acordar seremos apenas conhecidos. Se alguma coisa correr mal basta um encolher de ombros. Quando Fábio acordou e não sentiu nenhum apreço pelo esforço dos médicos teve a certeza que tudo tinha corrido bem. Racionalizou que daí a 4 dias já estaria em casa com a sua cônjuge e a trata-la apenas por senhora enquanto os seu filhos seriam meros dependentes para efeitos de IRS.

 

Actualmente o nível de bem-estar de Fábio é de 99% com tendência a subir. Do passado apenas tem saudades do exercício de sorrir e duma ou doutra surpresa que a vida lhe reservava. Malditos 3%.


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