Redige habitualmente em latim, língua que não domina nem tão pouco conhece, artigos científicos que as revistas da especialidade teimam em não publicar. Para a TV7 DIAS e MARIA escreve artigos económicos. No tempo que lhe sobra escreve aqui.
26
Nov 09

Dois Senegaleses radicados em Portugal, um deles legal, vão publicar na próxima semana na revista MARIA um artigo científico onde provam o paradoxo do Gato de Schrodinger, aplicado ao banqueiro Oliveira e Costa (O&C).

 
O ponto de partida para esta experiencia é: pode um banqueiro estar simultaneamente morto e vivo? É a esta incoerência quântica que os Senegaleses respondem na conceituada revista cientifica Portuguesa.
 
Embora a questão seja colocada duma forma metafórica pois havendo um buraco de 9700 milhões de euros, desviados para locais que a mecânica quântica não conhece mas que se situam algures na freguesia da Esgueira, porque razão está um ex-empregado da firma Bóia & Irmão falido?   
 
Apesar do pressuposto inicial ser de difícil compreensão, a experiencia resume-se em colocar O&C numa sala blindada com paredes de chumbo e introduzir na sala um dos 23 arguidos com uma Magnum 45 e uma folha de papel com a seguinte questão. Terá o Madoff de Matadouços já contado tudo?
 
No exterior, imunes a sons ou à observação do que se passa dentro da sala somos levados a concluir que há um estado em que O&C está simultaneamente morto e vivo, no entanto se abrirmos a porta e espreitarmos apenas nos é dado a observar O&C ou vivo ou morto e não os dois estados em simultâneo.
 
Bem sei que a compreensão escapa a mentes menos treinadas para estas questões científicas ou que não tenham frequentado as aulas do professor António Morais na UNI, mas os Senegaleses ilustram a experiencia com outros famosos casos. Por exemplo o assessor do presidente da republica Fernando Lima. Depois do estado vivo, passou ao estado morto e regressou agora ao estado mais que vivo. Mas houve uma altura, a meio de Setembro, em que conseguiu juntar todos os estados e inclusivamente envergonhar o proprio estado.
 
O melhor é lerem a revista e inteirarem-se da experiencia. Está na rubrica o Diário de Maria.

23
Nov 09
jls, às 17:04link do post | comentar | |

Ao som duma concertina “Dino Baffetti” o genérico arranca. Toca o borrachão. Num caixote do lixo vê-mos muitos processos abandonados. Em redor no meio do fumo, dos maus cheiros e de outros detritos a câmara foca processos mortos, capas destroçadas, folhas rasgadas, sentenças adiadas, o nome de arguidos em prisão domiciliária e um ou outro com a indicação: Arquivar. É um cenário de destruição. A música é agora mais triste, passa o Cume da Serra.

 
Há um gato que mia e salta de dentro de um dos contentores. Com o barulho um dos processos acorda. Olha em redor e tem um flashback do terrível acidente que lhe aconteceu. Recorda-se vagamente de se encontrar no gabinete do procurador e de ver entrar à socapa um funcionário judicial mascarado de juiz. Distingui-o pela toga que trazia, uma praetexta.
 
A cena muda e leva-nos agora para uma festa. Três homens conversam. Um deles tem barba e óculos, outro tem óculos e barbicha e o outro não tem nem barba nem óculos nem pelos nas orelhas. Talvez seja por isso que esteja mais triste. Todos bebem redbull. Com o som da concertina de fundo, que passa agora um corridinho, tentamos perceber sobre o que conversam.
 
- Eliminados, Martins?.
- Tudo. E não quero inquéritos Monteiro.
 
Acaba o genérico e não percebemos mais.

19
Nov 09
jls, às 19:47link do post | comentar | |

A 6 de Outubro, o mundo inteiro sofreu um apagão de 2 minutos e 17 segundos. Todos viram o futuro.

 
Em Portugal esse apagão já durava há vários anos. Com o duplo apagão também alguns portugueses viram o futuro. É desse mosaico, do próximo dia 29 de Abril, que aqui damos conta. 
 
Cavaco Silva – Não viu nada. Desconfia que esteja morto politicamente. Vai criar um Tabu em Janeiro e criar a fundação “Mão Azul Portugal”.
 
José Sócrates – Depois da Cova Beira, do Freeport e da Face Oculta viu-se envolvido num novo caso. “O Pirata”. Um sms anónimo denunciou-o num download de musica ilegal.
 
Manuela Ferreira Leite – Não viu nada. Ainda está para perceber se estava a dormir na Assembleia da Republica ou se também está morta politicamente. Vai aderir à fundação “Mão Azul Portugal”
 
Paulo Portas – Viu o governo do PS a cair, mas não viu quem o empurrou.
 
Francisco Louçã – A sonhar viu-se feliz ao volante dum Porshe Cayene acompanhado de Belmiro de Azevedo, seu patrão. Acordou repentinamente do pesadelo mas ficou preocupado, começa a ser um sonho recorrente. 
 
Jerónimo de Sousa – Viu-se ao lado do querido líder Kim Jong-II no alto Alentejo de visita à primeira central nuclear da Coreia do Norte fora do país. Viu também em cima da mesa de cabeceira o resto dos comprimidos e a lata de redbull.
 
Teixeira dos Santos - Viu as palavras déficit e dois digitos conjugadas na mesma frase.
 
Mario Soares – Não gostou de se ver no novo anúncio da Multiopticas. Numa entrevista ao DN queixou-se da perseguição que fazem ao PS e às figuras socialistas. Queixou-se também que o Rei ou o Eusébio, não sebe bem qual, o persegue por lhe ter roubado o tacho na Multiopticas.
 
Marcelo Rebelo de Sousa – Viu-se a falar com Cristo e como não percebeu se foi Cristo que veio novamente à terra e ele já é Presidente do PSD ou se estavam ambos no Céu atribuiu a si própria uma nota negativa.
 
Pinto Monteiro – Viu-se aos comandos dum tractor agrícola em Almeida sua terra natal. Viu também que precisa de adubar e sachar o milho. Lembra-se de uma chamada que fez a Bagão Félix para saber se já deve adubar a Aveia ou esperar mais duas semanas.
 
Noronha de Nascimento – Foi à Stapples ver o novo destruidor de papel Fellowes C-420, com uma capacidade de destruição de 2,5 folhas/segundo e uma capacidade de corte de 30 folhas em simultâneo permite ainda destruir CDs ou outros elementos multimédia onde constem processos que envolvam o primeiro ministro. Comprou 4.
 
Armando Vara – Viu a serra de Sintra ao longe, dois guardas prisionais e Mario Godinho no pátio da cadeia.
 
Oliveira e Costa - Viu-se presidente de um novo banco do qual Armando Vara é vice. Apesar de ainda só ter 3 balcões, Linhó, Custoias e Vale de Judeus as expectativas são boas. A estratégia é abrir um balcão em cada Estabelecimento Prisional.
 
Luis Filipe Vieira – Viu o Benfica com mais 12 pontos que o segundo classificado e a duas semanas de ser campeão.
 
Pinto da Costa – A ver o exame de 8º Dan do Bruno Alves na associação de Karate Shotokai Portugal cruzou-se com André Villas Boas o novo treinador do Porto.
 
Jose Eduardo Bettencourt – Enquanto experimentava um novo shampô de óleo de abacate, mel, maçã, frutos silvestres e aloé vera, que fabrica na garagem segundo uma receita do avô, viu o Pedro Granger entrar-lhe pela casa de banho dentro e saltar-lhe para os braços enquanto gritava PAI, PAI.

17
Nov 09
jls, às 15:21link do post | comentar | |

Então parece que o tempo vai mudar. Foi com estas palavras que Silvério se despediu antes de partir para os Estados Unidos da América para fundar o Partido Comunista local. Antes da partida fez questão de entregar a seu filho o tesouro mais valioso que possuía, a receita da Salada Kani com Mozarela de Búfala que estava na família há 31 gerações.

 
Mas como o destino é fértil em partidas, e às vezes em chegadas, Silvério perdeu-se na viagem, algures sobre o atlântico a uma altitude de 25.000 pés. Há quem diga que foi a 18.000 e Gonçalo Amaral defende mesmo que possa ter sido só a 15.000. Quanto ao filho, com o desgosto, perdeu-se no mundo das drogas, no caso o tabaco e a receita também perdida acabou esquecida num bafiento cofre de banco.
 
Assim esteve durante as ultimas 2 gerações, até que no passado dia 27 de Junho de 2009, pelas 10.32 H a.m., Armando Vara a transmitiu a José Sócrates numa conversa escutada pela Policia Judiciária. O que chamou a atenção das autoridades sobre o facto foi a salada ser de inverno e ter sido alvo de uma conversa em pleno verão.
 
Emitida a certidão e gravado o CD com a conversa, e dado o assunto ser de tão grande importância, logo o juiz encarregue do caso a fez chegar ao Procurador Geral da Republica que por sua vez a remeteu para o Supremo Tribunal de Justiça.
 
Noronha na posse de tão valioso segredo ligou a Cavaco, o mais alto dignitário da nação, e desafiou-o a vestir o avental e com ele ir para a cozinha testar o achado.
 
Logo lhe foi adiantando: Para uma travessa grande desfiam-se 100grs de Kani. Junta-se uma cebola em rodelas, 80 gramas de azeitona verde também em rodelas e a mozarela. Tempera-se com sal, pimenta, azeite e limão. Serve-se acompanhada de batata palha.
 
Cavaco entusiasmado escutou. Apenas perguntou senão seria melhor juntar as azeitonas ao Kani antes da Cebola. Noronha disse que talvez sim, mas ia pedir a um constitucionalista um parecer técnico. Reuniram-se e no maior secretismo concretizaram o projecto.
 
E assim, brindando a Silvério que no céu continua perdido, Cavaco com a camisola nº 1 da nação e Noronha com a nº 4 degustaram a famosa salada enquanto assistiam ao DVD com o filme “A Face Oculta”. O filme subsidiado pelo ministério da cultura, da defesa, da presidência, das finanças e dos transportes é um dos mais fortes candidatos aos Óscares na categoria animação da boa.

13
Nov 09

Foi em cuecas que Elvis chegou ao Supremo. Numa das mãos trazia mais certidões do processo “face oculta” na outra a tabela de preços dos acórdãos para os arguidos que os juízes praticam.

 
Só não se cruzou com Noronha à entrada por um daqueles meros acasos a que o destino teima em chamar atraso. Noronha apesar de atrasado nessa manhã já se tinha cruzado com duas escutas engripadas, uma certidão coxa e um processo surdo, estava a ser um dia como tantos outros.
 
Mas ao ver Elvis tudo mudou. Inicialmente confundiu-o com a Dona Idalina das fotocópias, talvez pelo cabelo armado, mas depois reparando melhor na cueca teve a certeza que não. Parecia-lhe agora o seu velho candeeiro, mas o abajur era diferente. Penteou a barba para ver melhor e depois sim, reconheceu-o. Sem dúvida que era ELVIS.
 
Mandou-o entrar. Enquanto arquivava as certidões do processo face oculta, dado envolverem o primeiro-ministro, mandou a secretária servir 2 cafés e um cabrito à padeiro. Para o Rei só o melhor.
 
Noronha sempre se sentiu Rei, no entanto perante a presença daquela curiosa criatura, que permanecia em cuecas, sentia-se esmagado. Queria perguntar-lhe como estava e outras coisas mas as palavras teimavam em não querer sair. Só por gestos e em Inglês se conseguiu expressar.
 
Elvis sorriu e pegando numa viola imaginária tocou alguns acordes enquanto cantava a tabela de preços dos acórdãos para os arguidos. Noronha foi para bateria e acompanhou-o.
 
Elaboração do acórdão pelo arguido,
são 100 mil euros, 100 mil euros.
 
Conhecimento antecipado da totalidade do acórdão pelo arguido,
são 75 mil euros, 75 mil euros.
 
Conhecimento antecipado do resultado do acórdão pelo arguido,
são 50 mil euros, 50 mil euros.
 
Conhecimento antecipado do resultado do acórdão pelo arguido,
via terceiros, via terceiros, são 30 mil euros.
 
Possibilidade de apostar e influenciar na BWIN o resultado do acórdão,
são 10 mil euros, 10 mil euros.
 
Esperar nervosamente que os juízes decidam sozinhos,
estás lixado, estás lixado.
O mesmo, mas no Brasil
já estas safo, já estas safo.
 
E aos preços ainda acresce o IVA,
à taxa em vigor, à taxa em vigor.
 
Não fosse a Toga de Noronha ter-se enrolado no pedal da bateria, que repetiriam esta “ode à justiça” vezes sem conta.
 
Mas Elvis afinal era mesmo o velho candeeiro de canto com o abajur torto e Noronha ainda tinha um cesto de vindimas cheio de processos para arquivar. Olhou com ternura para o cabrito à padeiro que arrefecia em cima do portátil e pegando numa côdea de pão para provar o molho decidiu dadas todas estas circunstancias extraordinárias que tinham acabado de lhe acontecer que a justiça tinha de ser entregue aos políticos e não aos policias que só aborrecem quem não devem. Tal como no Flashforward depois acordou.

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