Redige habitualmente em latim, língua que não domina nem tão pouco conhece, artigos científicos que as revistas da especialidade teimam em não publicar. Para a TV7 DIAS e MARIA escreve artigos económicos. No tempo que lhe sobra escreve aqui.
23
Jan 12
jls, às 18:44 | comentar | |

Anestesiados com a Troika e com a austeridade é com satisfação que assistimos aos primeiros sinais de um regresso à normalidade.  

 

Em São Bento o Governo já não tem problemas em fazer nomeações à descarada (EDP e Aguas de Portugal), em Belém o Presidente, que pelos vistos já só pensa em si, perdeu a vergonha ou sentido de estado, ou ambos, e já se queixa na praça pública que os cerca de 10.000 Euros mensais que recebe das várias reformas não lhe chegam para as despesas e até a esquerda mais chique encarnada por esse modelo de verticalidade e imaculado bom senso esquerdista que é a Ana Drago já não abdica do BMW e do respectivo motorista da assembleia para ir ali a Guimarães a um encontro de jovens.

 

A confiança está a regressar aos nossos políticos das novas oportunidades que já agem em conformidade. A piada é que falta menos de um ano para voltarmos aos mercados. 


16
Jan 12
jls, às 16:18 | comentar | |

 

Sete meses depois percebemos as 45 mil razões (mensais) que Catroga tinha para não aceitar o cargo de ministro das finanças. Disponibilidade para que um dia a sua tentação rimasse com nomeação.

 

Nunca a célebre frase de Oscar Wilde fez tanto sentido. A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é ceder-lhe.


06
Jan 12
jls, às 11:44 | comentar | |


A Kodak, (1878-2012), que inventou o rolo de filme e a máquina fotográfica e que se cruzou com a vida de tantos milhões de pessoas perpetuando pelas fotos momentos inesquecíveis apresentará brevemente o pedido de insolvência.

 

É mais uma empresa a falir, dirão os mais pragmáticos. A Kodak? Perguntarão os mais nostálgicos, como é possível.

 

O curioso da história é que a situação poderia ser diferente se em 1975 a empresa tivesse aproveitado a invenção de um seu engenheiro. A máquina digital. Perante o dilema de aproveitar a invenção que revolucionou a fotografia ou matar a galinha dos ovos de ouro, o filão dos rolos de filme e das máquinas tradicionais onde a empresa era líder incontestável, a direcção optou pelo segundo caminho, o mais seguro. Para mal da empresa todos os concorrentes a ultrapassaram com o salto para o digital.

 

A lição que fica é que hoje mais que nunca é necessário cortar com o passado, inovar, descobrir e reinventar vantagens competitivas. Sair da zona de conforto nos melhores momentos marca a diferença entre criar as regras do jogo ou jogar segundo as regras dos outros. Quanto mais cedo o fazemos, menos temos de correr atrás.

 


23
Dez 11
jls, às 18:58 | comentar | |

O PCP, esse museu vivo, é sem dúvida uma caixinha de surpresas. No inicio da semana surpreendeu-nos com este triste comunicado quando se devia congratular com morte desta inqualificável criatura (Kim Jong-II). A meio da semana conseguiu ir ainda mais longe opondo-se a um voto de pesar na Assembleia da Republica pela morte de Vaclav Havel, herói da revolução de Veludo na antiga Checoslováquia.

 

Não me revendo em nenhuma posição que este partido defende nutro no entanto alguma simpatia e respeito por militantes seus. Admiro a inteligência e capacidade argumentativa de Bernardino Soares e os seus malabarismos para defender o indefensável. Em Jerónimo, a capacidade de trabalho, seriedade e dedicação a uma causa e pouco mais. Imagino assim a decepção que será para qualquer militante ou simpatizante comunista, que verdadeiramente o seja, ao lembrar o ponto número um do programa/manifesto do PCP, pelos vistos esse grande equivoco, e que diz o seguinte:

 

O Partido Comunista Português, partido político da classe operária e de todos os trabalhadores, inteiramente ao serviço do povo português e de Portugal, tem como objectivos supremos a construção do socialismo e do comunismo - de uma sociedade nova liberta da exploração do homem pelo homem, da opressão, desigualdades, injustiças e flagelos sociais, sociedade em que o desenvolvimento das forças produtivas, o progresso científico e tecnológico e o aprofundamento da democracia económica, social, política e cultural assegurarão aos cidadãos liberdade, igualdade, elevadas condições de vida, cultura, um ambiente ecologicamente equilibrado e respeito pela pessoa humana.

 

A Coreia do Norte é e sempre foi o contrário de tudo isto. Nos últimos anos morreram ou estão em risco de morrer mais norte-coreanos pela fome do que nas guerras do Iraque e Afeganistão juntas e contra as quais o PCP veemente sempre se bateu. É pois vergonhoso a direcção do partido mostrar esta hipocrisia de apresentar condolências à direcção do partido “amigo” ou “irmão” do Trabalho da Coreia pelo falecimento do querido líder cujo nascimento estava associado ao aparecimento de uma nova estrela e de um duplo arco-íris, propaganda que estranhamente o PCP ainda não comentou.

 

Quando enterrarem o defunto e o seu filho assumir o poder, líder ainda mais extraordinário e carismático, neste caso o seu nascimento está associado à transformação de rios em correntes de sumo de laranja e relva em bifes, tal é o delírio, provavelmente o PCP fará um novo comunicado a desejar à governação de Kim Jong-un sorte no prosseguimento do ideal comunista, que alguém tão bem caracterizou com essa forma de monarquia totalitária onde os donos do poder se apoderam dos bens públicos, roubam os bens privados, e distribuem ao povo fome e miséria.

 

Já Vaclav Havel, persona non grata nas hostes comunistas, cometeu esse terrível crime de liderar um país rumo à democracia abandonando o comunismo e mais grave ainda, sendo uma pessoa da cultura, pelas peças que escreveu satirizando o antigo regime comunista da Checoslováquia quando integrava o Pacto de Varsóvia.

 

É certo que Vaclav Havel não foi iluminado como Kim Jong-un, o “farol de esperança” ou “uma grande pessoa nascida no céu”, forma como é conhecido o futuro líder Coreano que tem poderes tão extraordinários que segundo as publicações oficiais, ainda criança e após ter aprendido as primeiras letras, compôs um “inestimável poema erótico” que produzia orgasmos generalizados sempre que era lido em público. Sem duvida que é disto que comité central comunista precisa para regressar à sua triste realidade ou pelo menos à terra. 

 


20
Dez 11
jls, às 12:21 | comentar | |

António José Seguro defendeu recentemente, provavelmente depois de uma noite de copos com Pedro Nuno Santos, que os países com excedentes orçamentais devem ser sancionados; "Não entendo porque não se fala em sanções para quem tem excedentes e não os coloca ao serviço da economia", disse Seguro numa conferência promovida pelo jornal Diário Económico.

 

Numa Bimby avariada Seguro conseguiu misturar as quantidades erradas de ingredientes Keynesianos e Neo-liberais e daí extrair esta teoria económica que já fez com que Paul Krugman, antigo Nobel da economia, o adicionasse como amigo no facebook só para tentar apreender a profundidade do seu pensamento económico.

 

Se é lógico que para países com défices excessivos a austeridade serve de sanção, os portugueses infelizmente sentem-na na pele, pois ninguém se governa eternamente gastando mais do que produz/recebe, esta teoria que tudo inverte, o bom senso incluindo, não sanciona apenas esses mas também os outros que fruto do seu trabalho e rigor conseguem excedentes. Na opinião de Seguro é obrigação destes colocar esses excedentes na economia para, pasmem-se, ajudar aqueles que pelas mais variadas razões, incompetência política incluída, não fazem o que é suposto ser feito.

 

Ou seja, um tipo de RSI (Rendimento Social de Inserção) ao nível dos países onde os mais ricos e competentes devem artificialmente desvirtuar a concorrência e as suas contas libertando recursos para que outros (estaria certamente a pensar em Portugal) possam continuar a viver da forma errada como sempre fizeram.

 

Assustam-me estes tiques esquerdistas de fé num protectorado social e a crença que esta gente continua a ter que é sempre obrigação dos mais fortes ir em socorro dos mais fracos. Quando esta solidariedade não surge naturalmente é obrigação de socialista que se preze promover esse voluntariado obrigatório por qualquer via. Proclamar ao mundo, mesmo que seja de Castelo de Paiva, que; “ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos” e “se não pagarmos a dívida e se lhes dissermos as pernas dos banqueiros alemães até tremem” não é sinal de inteligência nem de bluff político ou negocial quanto muito são duas garrafas de vinho a falar.

 

Tinha sido mais fácil e compreensível a Zorrinho e a Galamba terem simplesmente dito que Pedro Nuno Santos estava bêbedo, quanto às declarações de Seguro já é mais complicado pois foram feitas durante a manhã.

 

Querem uma verdadeira razão para emigrar? Esta gente pode voltar a governar-nos.


25
Nov 11
jls, às 12:48 | comentar | |

De 1988 a 2011 vão 23 anos. Em nenhuma outra era, nenhum outro século ou década o mundo e a sociedade evoluíram tanto e tão rapidamente como nos últimos anos. Também Portugal evoluiu e se modernizou. Todos os sectores da sociedade sem excepção se modernizaram, evoluíram e se adaptaram aos novos tempos. Bem, quase todos. Parados no tempo ficaram essas entidades hibridas e inúteis chamadas sindicatos.

 

É um exercício interessante analisar os motivos da primeira greve geral, a 28 de Março de 1988, quando CGTP e UGT se uniram para lutar contra o governo e compara-los com esta, a terceira. Na origem do protesto estavam então as leis laborais que o governo de Cavaco Silva pretendia aprovar. Carvalho da Silva e Torres Couto uniam-se para combater; a reintegração dos trabalhadores despedidos ilicitamente; a inaptidão do trabalhador que não podia servir como justa causa de despedimento e, por último, a ameaça aos direitos dos dirigentes sindicais que as novas leis laborais traziam.

 

Passados 23 anos o mesmo Carvalho da Silva agora com João Proença, Torres Couto há muito que se rendeu ao capitalismo, lutam por; o direito a ter um trabalho e não apenas uma ocupação do tempo; o não à precaridade e ao desemprego; a exigência a que a cada posto de trabalho permanente, corresponda um vínculo de trabalho efectivo; e ao aumento real dos salários e horários dignos que permitam conciliar a vida pessoal e familiar com o trabalho.

 

Além disto rejeitam o programa de agressão (ajuda da troika?), pois acham que temos forças para construir um Portugal com futuro e não aceitam que nos digam que é inevitável viver em piores condições, sem direitos, com piores salários ao mesmo tempo que se dão milhões à banca e ao grande capital. Este falso paradigma é tão velho que desconfio que seja mesmo anterior ao próprio comunismo e à velha ideia de que cada trabalhador representa o bem e que cada patrão personifica o mal.

 

A essência do discurso hoje é a mesma de há 23 anos atrás. Um discurso velho e gasto que por tanta e inadequada pedagogia já não convence ninguém. Estes sindicalistas profissionais que se eternizaram no poder, além do passado, já nem sabem quem representam, se os que não querem trabalhar se os que não deixam os outros trabalhar.

 

(segundo dados do expresso há na função publica 1.830 funcionários adstritos aos sindicatos, 450 dos quais a tempo inteiro. Se pensarmos que mais de 95% do nosso tecido empresarial são microempresas com menos de 5 funcionários a inutilidade destes funcionários cujo salario pagamos daria para constituir e manter pelo menos 500 novas empresas.)

 


22
Nov 11
jls, às 18:55 | comentar | |

 

Há uns dias atrás o Conselho Superior da Magistratura decretou a aposentação compulsiva de um Juiz por este sofrer “reconhecidamente de incapacidade do foro psíquico”, ou nas palavras dos mesmos membros no intervalo da reunião para café; por este ser maluco.

   

Chegaram a esta conclusão os doutos membros do CSM pela análise ao trabalho do juiz. Até Maio o magistrado tinha em sua posse 304 processos "com conclusão aberta por despachar e com prazo excedido". Mas a piece de resistence da notícia foi o facto de o Juiz, no normal desempenho das suas funções, ter tratado por “fofinha” uma ré. Consta uma nota de acta de sentença que diz que "pelo M.mo Juiz foi dito oralmente "absolvida a ré fofinha"".

 

Foi aqui que o caldo entornou. Processos em atraso o CSM até admite e acha natural, Juiz que é Juiz decide sempre fora de prazo, agora falta de tento na língua é que não. Após rigorosa investigação decidiu o conselho de sábios aposentar o Juiz.

 

A história terminaria aqui não fosse o facto da realidade sempre superar a ficção. Afinal a “fofinha” era mesmo “fofinha”, mais precisamente “Fofinha - Fios e Tecidos, Lda” ou não se tratasse de uma empresa e não de uma pessoa. Por outro lado a acusação ao juiz de sofrer “reconhecidamente de incapacidade do foro psíquico” pode ser consequência do falecimento dos pais e da esposa e do apoio que tem de prestar a uma filha que sofreu perturbações de ordem psicológica.

 

Como o Juiz recorreu da aposentação forçada a história ainda não terminou. Enquanto espero pela punch line penso em como é fácil edificar uma verdade com mentiras ou uma mentira com verdades, é apenas uma questão de perspectiva ou como na peça de Alfred Musset, Não se brinca com o Amor, de linguagem. “Nem tudo mente num homem quando a sua linguagem mente”. 


26
Out 11
jls, às 16:37 | comentar | |

Foi necessário Cavaco reunir os seus 19 Conselheiros de Estado, o equivalente a um milhão de euros anuais em subvenções vitalícias e quase outro tanto em tickets restaurante e senhas de presença, durante 6 longas horas para finalmente se encontrar a solução para a crise e se ver luz, ainda que ténue, ao fundo do túnel. Finalmente a mensagem de esperança que há tanto tempo esperávamos chegou.


Apesar de o único ponto da agenda ser a crise da Zona Euro fontes do palácio de Belém que pediram o anonimato e cem mil euros em notas pequenas a depositar numa conta do BPN em nome de um antigo conselheiro de estado juraram a pés quase juntos que ainda a maior parte dos presentes não tinha acabado de se cumprimentar e sentar e já solução tinha sido encontrada numa antiga acta de um conselho de estado de 1975, permitindo assim que Manuel Alegre levasse à mesa a discussão de um tema verdadeiramente importante. O actual momento do Sporting.


O debate aqueceu de tal forma que só a chegada das pizzas por volta das 21 H trouxe novamente alguma racionalidade à discussão. Cavaco aproveitou então a oportunidade para lançar um tema que o atormenta ainda mais que a violação da equidade fiscal pelo corte dos subsídios. A poda das anonas. Infelizmente por não ter nenhum gráfico para juntar ao debate e pelo pessoal da limpeza já se encontrar a aspirar a sala do lado os trabalhos tiveram de ser encerrados.


Apesar do barulho do aspirador foi audível a leitura da solução para a crise. Um “diálogo construtivo” de todas as forças políticas e sociais. Se é só isso ficamos mais descansados.


21
Out 11
jls, às 18:04 | comentar | |

Desenganem-se os que estudam nas universidades para um dia se formarem em engenharia, medicina, direito ou gestão. Querem um emprego, um verdadeiro emprego (não um trabalho…), bem remunerado e com futuro? Acabem a quarta classe e abracem a carreira sindical. 

 

Ângelo Monforte foi isso que fez. Funcionário da autarquia do Pombal este incansável dirigente sindical conseguiu o feito de não trabalhar um único dia na autarquia nos últimos 8 anos. O presidente da autarquia fez o que era suposto qualquer pessoa de bom senso fazer. Congelou-lhe o ordenado. Infelizmente o Tribunal de Leiria foi de opinião diferente. Acha que todos nós, contribuintes, deveremos continuar a pagar o ordenado do Sr. Ângelo para ele continuar a não fazer nada seguindo a sua carreira sindicalista e assim contribuir para o esforço nacional que a todos nós é exigido com a única coisa que sabe fazer. Nada.

 

É uma pena a Troika ainda não se ter debruçado verdadeiramente sobre este flagelo nacional. Aqui sim podiam cortar e despedir. Como diria Woody Allen; "A vocação de um sindicalista de carreira é fazer de cada solução um problema".


18
Out 11
jls, às 19:59 | comentar | |

 

A Mãe fugiu da violência, o pai chora por ela, o irmão matou a avó, os padrinhos estão revoltados e ela até há pouco tempo consumia drogas e participava em sessões de sexo em grupo. Houve também roubos e tentativas de suicídio nesta pacata família que a abandonou aos 6 anos.

 

O que te pode acontecer mais Teresa? Descobrir uns tios que são funcionários públicos?


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